Regime de caixa e regime de competência: entenda as diferenças

Regime de caixa e regime de competência: entenda as diferenças

Ao administrar uma empresa, é preciso estar atento às movimentações financeiras que ela faz. Esse cuidado serve para manter o negócio financeiramente saudável, até mesmo em períodos de crise. Para conseguir o melhor resultado possível, conhecer e aplicar o regime de caixa e de competência pode fazer toda a diferença.

Além da função de esclarecer os resultados econômicos, os regimes têm uma função tributária e contábil muito importante, conforme veremos adiante. Por isso, é tão indispensável saber diferenciá-los. Quer aprender tudo sobre essas importantes ferramentas contábeis? Confira este texto até o final!

O lançamento contábil

O primeiro passo para compreender a diferença entre os dois lançamentos é ter em mente, de forma clara, o que significa um lançamento contábil. Toda vez que existe uma movimentação financeira na empresa, seja de entrada, seja de saída, a contabilidade fará um lançamento contábil para justificar para o Fisco a presença ou a ausência daquele dinheiro.

Os lançamentos contábeis podem ser tanto receitas como custos ou despesas, ou até mesmo ajustes no valor do patrimônio, como depreciações. Sua tarefa, em termos simples, é ajudar a contabilidade da empresa a apurar o lucro correto para cálculo de impostos, evitando multas.

Agora que nós já sabemos o significado de lançamento contábil, podemos partir para a explicação dos tipos de regime.

O regime de caixa

O regime de caixa é uma ferramenta utilizada no fluxo de caixa, ou seja, ela mede quanto de dinheiro a empresa realmente tem em determinado momento.

Sendo assim, para sua averiguação, sempre que a empresa faz ou recebe um pagamento efetivo, com dinheiro entrando ou saindo na conta, o valor é computado e começa a fazer parte do caixa.

Ou seja: quando você compra itens para o estoque com prazo de pagamento de 30, 60 e 90 dias, os lançamentos são feitos no dia que o dinheiro sai da sua conta para quitar a dívida, para que você saiba exatamente quanto ainda tem naquele mês para cumprir com as outras obrigações da empresa.

Por isso, o regime de caixa é um demonstrativo de cunho financeiro, utilizado somente para controle interno do dinheiro.

Seu ponto forte é ajudar a gerenciar a liquidez do negócio, mantendo a atenção do empresário às demandas de caixa imediatas. Seu maior problema, porém, é que só avaliando o caixa não é possível saber se o negócio está crescendo, nem se haverá necessidade de economizar ou investir o dinheiro que está disponível.

O regime de competência

Esse regime se baseia no princípio contábil da competência, que diz que os efeitos das transações devem ser contabilizados no período em que ocorreram. Em outras palavras, qualquer transação precisa ser lançada no momento em que ocorreu e não quando se efetivar o pagamento.

Então, no regime de competência, a compra do exemplo acima seria lançada como custo de estoque imediatamente, ignorando-se o fato de que os pagamentos têm um prazo maior.

Por isso, muitas vezes, o regime de competência pode não corresponder à realidade de caixa atual da empresa. Porém, é o demonstrativo ideal para a verificação do resultado econômico em um período maior de tempo, pois leva em conta as receitas e despesas que ainda estão por vir.

Vale lembrar que as empresas que apuram o resultado pelo regime de Lucro Real e precisam enviar seus demonstrativos contábeis ao Fisco são obrigadas a seguir o regime de competência em suas declarações.

Entre os benefícios do uso do regime de competência, podemos citar o acompanhamento do crescimento do negócio, clareza para planejar investimentos, direcionamento de estratégias com segurança e, o mais importante, preparação antecipada para períodos de instabilidade.

Por outro lado, utilizar só o regime de competência para averiguação do resultado pode deixar o empresário confuso, já que é perfeitamente possível que uma empresa mostre um resultado positivo nesse regime, mas esteja totalmente sem caixa.

Exemplo prático

Para facilitar a compreensão da diferença entre os dois regimes, nada melhor do que um exemplo, não é mesmo?

Sendo assim, vamos supor que a sua empresa fez uma venda para um cliente no valor de R$10 mil em agosto, que serão pagos em 4 parcelas mensais (setembro, outubro, novembro, dezembro). Veja como ficarão os lançamentos contábeis para cada um dos regimes:

Regime de caixa

  Agosto Setembro Outubro Novembro Dezembro
Não há  + R$2.500,00  + R$2.500,00  + R$2.500,00  + R$2.500,00

Regime de competência

Agosto   Setembro   Outubro   Novembro   Dezembro
  + R$10.000,00 Não há Não há Não há Não há

Qual o melhor dos regimes a ser seguido?

É normal que, ao entender os dois regimes, o empresário veja mais benefícios em usar o de caixa. Afinal, ele é mais adequado às necessidades da rotina de uma empresa. Porém, o regime de competência, além de ser obrigatório segundo as normas contábeis, também traz informações importantes sobre a saúde econômica de um negócio em longo prazo.

Sendo assim, não podemos dizer que nenhum seja melhor que o outro. O ideal seria que as empresas utilizassem os dois regimes para controle das movimentações econômicas. Assim, consegue ter uma visão mais ampla das necessidades do negócio sem perder de vista a realidade em que ele se insere.

Otimizando resultados com a utilização dos dois regimes

O regime de caixa é um controle muito fácil de ser aplicado, já que até mesmo um extrato de banco pode servir como base de sua criação. Por isso, não há desculpas para que o empresário não tenha esse controle.

Já o regime de competência, embora não seja complexo, vai exigir uma atenção extra. Se a sua empresa já envia as informações para um contador, não vai ser difícil obter esse relatório. Caso a forma de apuração dos impostos não exija esse processo, sempre é possível criar o documento por meio de uma planilha ou até mesmo software especializado.

Quem colocar os dois regimes em prática não vai se arrepender. Juntos, eles oferecem mais alternativas para gerenciamento do negócio e planejamento das finanças e antecipam os resultados para trazer mais clareza na tomada de decisões, evitando surpresas desagradáveis e períodos de crise.

Com essas informações em mãos, administrar um negócio pode se tornar mais simples, já que fica mais claro quando é necessário buscar ou fazer investimentos, ou até saber informações elementares, por exemplo, se a empresa terá dinheiro para arcar com o décimo terceiro salário de seus funcionários.

Não perca a chance de organizar o setor financeiro do negócio e ter confiança de que ele está no caminho certo: comece hoje mesmo a fazer os relatórios de regime de caixa e de competência e conquiste uma administração ainda mais eficiente!

Gostou da nossa explicação sobre regime de caixa e regime de competência? Ficou com alguma dúvida sobre estes temas? Conte para nós, deixe um comentário!

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